JAQUELINE RIBEIRO
Depoimento extra: Adoção rápida.
Thais Lazzeri
A
discussão sobre os novos formatos das famílias, especialmente a que
inclui pais homossexuais vem crescendo no mundo todo. Nos Estados
Unidos, o debate ganhou destaque com a notícia da suposta gravidez de
Mary Cheney, filha do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney,
que é homossexual assumida e vive há anos com sua companheira. Crescer
conversou com Jean Charles de Oliveira, brasileiro, e Joe Scappaticci,
norte-americano, casados e pais de Sarah, 4 meses. Conheça um pouco da
vida desta nova família.
'Casamos em maio de 2004 no estado de
Massachusetts, único nos Estados Unidos onde a união entre pessoas do
mesmo sexo é legalizada. Foi lá também que nasceu Sarah, nossa filha.
Entramos com o pedido de adoção e logo fomos contatados. Ela nasceu em
1º de agosto, e nós fomos avisados em 28 de julho. Tivemos dois dias
para ir até a maternidade e arrumar a casa para receber o bebê, que
viria direto para cá. Parece muito rápido, mas só depois de nove anos
juntos é que amadurecemos a idéia e nos preparamos para recebê-la.
Sabíamos que um dia formaríamos uma família.
Quando a Sarah
chegou, a casa parecia um centro de convenções. Era gente chegando,
presentes empilhados. Desde então tem chá de bebê todo mês. No terceiro,
ganhamos um bolo de fraldas (foto). Eu não sei se é novidade, mas nunca
tinha visto um. É um bolo não comestível que parece um bolo de
casamento, todo montado com fraldas descartáveis e decorado com
coisinhas que neném precisa, como pasta de dente, escova de cabelo,
alfinetes, lacinhos, óleo, etc. Ainda não tivemos a coragem de
desmontá-lo, mas sempre que precisamos de algum produto a gente rouba do
bolo.
Nos dividimos em turnos para cuidar dela. Eu até as quatro
horas da tarde e o Joe até a hora em que ela vai dormir. Preparei um
diagrama diário e fiz cópias para todo o mês. Toda vez que ela mama ou
troca a fralda, eu marco no diagrama o horário, bem como a quantidade de
leite que ela mamou e que tipo de fralda trocou (molhada ou suja). Se o
Joe chega em casa e eu tenho de sair as pressas, é só ele olhar no
diagrama que tá tudo lá. A planilha fica na mesa da cozinha e assim não
esquecemos de preencher.
Nossos amigos comemoraram esta vitória.
Mas sinto um pouco de preconceito por parte de algumas mulheres, que
fazem piadas a nosso respeito ou acham que não vamos conseguir cuidar da
Sarah, por sermos homens. Ouço tudo, porque às vezes é só para ajudar
mesmo. Sabíamos que poderia acontecer. Mas cada instante com Sarah faz
tudo isso valer a pena. Ela nos trouxe alegria. Nosso objetivo é cuidar
desta menina e fazê-la feliz.'
Fotos: Arquivo pessoal

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